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Cidades digitais — tentativa de definição

22 de maio de 2010

Hilton Garcia Fernandes

Cidade digital é um termo que tem alguma popularidade. Talvez por isso, tem significados diferentes para diferentes pessoas. Para o Ministério das Telecomunicações, por exemplo, em [1], qualquer cidade que tenha conexão com a Internet é uma cidade digital. Devido à universalização das telecomunicações, praticamente qualquer cidade brasileira tem acesso à Internet — mesmo que tenha que fazer uma ligação interurbana ao ponto de presença de Internet mais próximo, como tem sido o caso de cidades até mesmo de Minas Gerais.

Para outras pessoas, cidade digital é cidade que tem presença marcante na Internet, muitas vezes através de portais de governo eletrônico [2], ou e-gov, onde a população pode solicitar serviços da prefeitura e acompanhar online a prestação de contas da prefeitura.

André Lemos [3], pesquisador da UFBA, publicou artigo [4] onde levanta os vários significados possíveis do termo no uso cotidiano e acadêmico. Juliano Castilho Dall’Antonia [5], pesquisador do CPqD, fez apresentação [6] no evento Wireless Mundi 5 [7] onde lançou a noção de uma hierarquia de implementações de características de uma cidade digital, que começa com o acesso básico e chega até à cidade digital plena.

Neste texto, vamos seguir abordagem prática de identificar o termo cidade digital com o uso mais corrente no contexto dos técnicos brasileiros, no qual cidade digital significa uma cidade amplamente coberta por uma rede sem fio integrada, que permite acessar a Internet, em geral oferecida gratuitamente pela municipalidade, ou por uma organização não governamental (ONG), caso em que o acesso pode ter um custo, em geral muito baixo.

Para evitar a ambiguidade do termo cidade digital, nos EUA tem sido adotado o termo municipal wireless network [8], ou rede municipal sem fio, que eles preferem abreviar por municipal wi-fi, ou até muni wi-fi, devido ao fato de que hoje as redes que chegam ao cidadão sejam normalmente do tipo chamado Wi-Fi [9].

Pela amplitude da oferta de acesso à Internet e por seu baixo custo, redes desse tipo têm um impacto grande na comunidade, tanto em termos educacionais, quanto em termos empresariais, como até turísticos.

A respeito do impacto na educação, a cidade de Sud Mennucci-SP [10] é um bom exemplo brasileiro, pois seus estudantes têm tido bons resultados quando comparados com estudantes de cidades maiores [11]. E também é por razões semelhantes que várias iniciativas educacionais como o OLPC (One Laptop per Child) [12] têm usado a informática na educação com amplo acesso à Internet [13].

Quanto ao incentivo às empresas que essas redes oferecem, pode-se citar desde um resultado de econometria que mostra que as empresas são atraídas por empresas com maior infraestrutura em informática, do mesmo modo que são repelidas por cidades com menor infraestrutura [14]. Além disso, no caso do Brasil, cidades como Quissamã-RJ [15], têm recebido interesse de empresas graças a sua facilidade de acesso à Internet, hoje muito importante para os negócios.

Quanto ao incentivo para o turismo, o exemplo brasileiro de Tiradentes-MG [16] é relevante. Esta cidade turística passou a ser mais considerada por turistas que, mesmo em viagem, não querem perder o contacto com o resto do mundo através da Internet. O que talvez signifique duas coisas: uma que, no mundo competitivo de hoje, as pessoas talvez não possam se isolar do trabalho mesmo durante suas férias; ou então, que hoje a Internet se usa a Internet não apenas para trabalhar, mas para sua convivência pessoal. Naturalmente, uma opção não exclui a outra.

Proposta de conceito

Nossa proposta de cidade digital é apenas aplicar o conceito que está muito divulgado em propostas como aquela de Tiradentes [16]. Ele pode ser resumido na matéria [17] do portal How stuff works [18] (ou “como as coisas funcionam”): um conjunto de equipamentos do tipo AP [18], eventualmente conectados em malha [19], nos quais alguns têm o papel de gateways e se comunicam com a Internet. Isto pode ser resumido na imagem a seguir, trazida de [17], na qual a linha traçada em azul mostra o acesso à Internet, o que é chamado de backhaul [20].

Esquema simplificado de rede mesh

Esquema de rede mesh em cidade digital

Crítica do conceito

Tem havido uma reflexão na Web em português a respeito de uma cidade digital ser mais do que sua infra-estrutura [21]. É de bom senso que se cria uma cidade digital para obter incrementos em educação, empreendedorismo e atividade econômica, como já mostram os casos clássicos brasileiros já comentados antes. Contudo, em nenhuma das páginas Web encontradas há clareza sobre o que realmente seria esse algo mais. Trata-se principalmente de uma listagem de propostas gerais de e-gov, principalmente na saúde, com aplicação da Internet à educação etc.

Um conceito que pareceria frutífero é o de cidades inteligentes [22]. Uma cidade inteligente seria uma cidade capaz de se organizar para atuar de modo inteligente; uma cidade inteligente pressupõe na base uma cidade digital, inteiramente conectada por uma rede única, em geral digital, conforme descrito antes.

Contudo, o conceito de cidade inteligente até aqui levou principalmente a estudos especulativos e também não parece indicar soluções práticas — por isto é insuficiente para o administrador público. Assim, estudos na linha da economia do desenvolvimento regional, ou Estudos Regionais [23] parecem ter capacidade propositiva — já sendo encampados por instituições como o SEBRAE [24]. Estudos nesta linha fazem avaliação bem informada e fundamentada de ações de redução da exclusão digital aplicadas nos EUA [25].

Concluindo, parecem ser necessários estudos e práticas baseadas no conceito de cidade inteligente [22], mas calcados nos impactos das cidades digitais na economia, que tem sido feitos nos EUA [25], que seguem a linha dos estudos regionais [23]. O SEBRAE-SP já iniciou trabalhos em linha próxima a esta [24].

Referências

[1] As cidades digitais no mapa do Brasil: Uma rota para a inclusão social
http://www.cpqd.com.br/component/docman/doc_download/146-as-cidades-digitais-no-mapa-do-brasil.html
Visitado em 13/05/2010

[2] São Paulo é a cidade mais digital da América Latina, aponta pesquisa
http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/10/27/sao-paulo-e-a-cidade-mais-digital-da-america-latina/
Visitado em 14/05/2010

[3] Carnet de Notes — Bios
http://andrelemos.info/about/
Visitado em 14/05/2010

[4] O que é Cidade Digital?
http://www.guiadascidadesdigitais.com.br/site/pagina/o-que-cidade-digital
Visitado em 14/05/2010

[5] Juliano Castilho Dall’Antonia
http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhepesq.jsp?pesq=0822860019291028
Visitado em 14/05/2010

[6] O que esperar de uma Cidade Digital Plena
http://www.arede.inf.br/images/stories/arquivos/wirelless_mundi/5wirelessmundi/julianodallantonia-cpqd.pdf
Visitado em 14/05/2010

[7] 5º Wireless Mundi
http://www.arede.inf.br/inclusao/component/content/article/2040-5-wireless-mundi
Visitado em 14/05/2010

[8] Municipal Wireless Network
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Municipal_wireless_network
Visitado em 14/05/2010

[9] Wi-Fi
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Wi-Fi
Visitado em 14/05/2010

[10] Sud Mennucci (São Paulo)
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Sud_Mennucci_%28S%C3%A3o_Paulo%29
Visitado em 14/05/2010

[11] LETRAMENTO E INCLUSÃO DIGITAL: A INFLUÊNCIA DA INTERNET NA CONSTRUÇÃO DOS HÁBITOS DE LEITURA DE ALUNOS DE EJA
http://www.alb.com.br/anais16/sem01pdf/sm01ss08_06.pdf
Visitado em 14/05/2010

[12] One Laptop per Child
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Olpc
Visitado em 14/05/2010

[13] Information and communication technologies in education
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Information_and_communication_technologies_in_education
Visitado em 14/05/2010

[14] EFFECT OF ODA IN INFRASTRUCTURE IN ATTRACTING FDI INFLOWS IN VIETNAM
http://www.grips.ac.jp/vietnam/VDFTokyo/Doc/39PTHien15Dec07PPT.pdf
Visitado em 14/05/2010

[15] Quissamã
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Quissam%C3%A3
Visitado em 14/05/2010

[16] Tiradentes (Minas Gerais)
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Tiradentes_%28Minas_Gerais%29
Visitado em 17/05/2010

[17] How Municipal WiFi Works
http://computer.howstuffworks.com/municipal-wifi.htm
Visitado em 19/05/2010

[18] How Stuff Works
http://computer.howstuffworks.com
Visitado em 19/05/2010

[19] Wireless Access Point
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Access_point
Visitado em 19/05/2010

[20] Redes mesh e grafos
https://tecnologiassemfio.wordpress.com/2010/02/19/plano-nacional-de-banda-larga-primeiras-ideias/
Visitado em 21/05/2010

[21] Por que fazer uma cidade digital?
http://www.cpqd.com.br/imprensa-e-eventos/the-news/4347-por-que-fazer-uma-cidade-digital.html
Visitado em 19/05/2010

[22] Intelligent city
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Intelligent_city
Visitado em 21/05/2010

[23] Regional science
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Regional_science
Visitado em 19/05/2010

[24] Estudos regionais | Portal SEBRAE-SP
http://www.sebraesp.com.br/conhecendo_mpe/setoriais_regionais/regionais
Visitado em 21/05/2010

[25] Measuring broadband’s economic impact
http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/download?doi=10.1.1.86.7956&rep=rep1&type=pdf
Visitado em 21/05/2010

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PNBL, lá e cá (parte 3 de 4)

11 de maio de 2010

Hilton Garcia Fernandes

Este é o terceiro de uma série de quatro artigos sobre planos nacionais de banda larga em outros países. Já foram publicados textos sobre a Austrália [1] e sobre os EUA [2]. Este texto comentará a situação da Malásia [3]. O próximo texto discutirá o plano nacional da África do Sul. A conclusão tentará resumir todos os pontos polêmicos vistos aqui.

Malásia

A Malásia [3] é a terra do Multimedia Super-Corridor (MSC) [4], infovia que seria capaz de fazer a Malásia saltar diretamente para a Era da informação [5].

Contudo, a julgar pelos muitos blogs a respeito, a situação da Malásia não é das melhores, do ponto de vista da banda larga: imagem em anexo mostra expectativas dos blogueiros malaios a respeito da super banda larga que será disponível para o país [6].

Malaysia’s ‘High Speed’ ‘Broadband’ should not turn out into low speed narrowband!

Malaysia’s ‘High Speed’ ‘Broadband’ should not turn out into low speed narrowband!

Crítica mercadista ao MSC ?

A princípio, o caso da Malásia seria perfeito para pessoas com posições mercadistas — contrárias à participação do estado no planejamento da oferta de acesso à Internet, entre outras coisas. Afinal, um projeto governamental e público fracassa, o que é um prova de que apenas as soluções baseadas no mercado são funcionais, pensariam pessoas com esse tipo de posição.

Contudo, na Internet não pode ser encontrada nenhuma crítica mercadista ao MSC da Malásia. Por que seria esse silêncio ? Um pouco de história, tanto contada pelos blogueiros como pelos acadêmicos poe ajudar a esclarecer este ponto.

Descrevendo o MSC

A Malásia pode ser descrita pelo mapa a seguir, como duas grandes massas continentais disjuntas, que juntas atingem cerca de 330.000 km2 [7].

Mapa da Malásia

Mapa da Malásia

O MSC, como aponta [4], nunca planejou cobrir todo o país — nem mesmo partes significativas dele — conforme pode ser visto na figura a seguir, obtida de [8].

Visão contextual do MSC da Malásia

MSC no contexto da Malásia

Segundo [4], o MSC é um retângulo de 15 km por 50 km, ou 750 km2 — compare-se com o 330.000 km2 da área total do país. Segundo [9], desde 2006 inclui também o que poderia ser chamado de Grande Kuala Lumpur, ou os subúrbios da capital do país — mas com certeza por agora esse alcance se limita às empresas, pois — a julgar pelos blogs encontrados — a população de Kuala Lumpur se soma às reclamações sobre Internet de outras partes do país.

Desde o início, o MSC foi projetado pára realmente ser um corredor, que oferece muitas vantagens para empresas que se filiem a ele, instalando-se na Malásia. O projeto foi lançado com o apoio de muitas empresas, entre elas a Microsoft [10]. Foi intensamente aplaudido por páginas e portais com visão corporativa e empresarial [11].

Status atual do MSC

Mas assim como foi aplaudido, foi também esquecido: hoje é dificil encontrar referências a ele que não sejam aquelas das revisões acadêmicas [12] ou das reclamações, mais [13] ou menos [14] analíticas, em blogs de usuários. Uma avaliação acadêmica [15] aponta para um exagero de ufanismo tecnológico.

Estudos independentes, como o GBS [16] e o Relatório de Competitividade Econômica [17], do Fórum Econômico Mundial, colocam a Malásia em posição bastante inferior àquela de países vizinhos na Ásia — próxima de países do terceiro mundo como o Brasil. Isto é bastante sentido em blogs, como [18] , aos quais a posição é considerada humilhante para o orgulho nacional e frustrante, diante dos bilhões de dólares gatos na construção do MSC.

Aparentemente, conforme indica [13], do DEMA (Movimento Democrático Malaio da Juventude e dos Estudantes) [19], há um monopólio da estatal malaia no que se refere ao last mile [20]. Isto acarreta uma ausência de concorrência, que gera preço mais elevado do que o padrão dos países vizinhos, ao mesmo tempo que baixa bastante a qualidade dos serviços: além da baixa capacidade, do custo elevado, são repetitivas críticas dos usuários às falhas dos serviços [21].

Conclusões

É extremamente difícil tirar conclusões da experiência malaia: afinal, trata-se de cultura extremamente diferente da brasileira. Ou culturas, já que a Malásia é composta de várias culturas e línguas diferentes [3]. Em termos gerais, poderia ser chamada de uma ditadura [22], apesar de haver eleições e alguma rotação no poder — similar talvez àquela da ditadura brasileira [23]. De qualquer modo, um dos lemas da associação nacional de estudantes é introduzir a democracia no país [19].

Quanto ao plano nacional de banda larga implantado pelo governo, aparentemente ele fracassou — afinal as críticas não vêm apenas de relatos acadêmicos [15], depoimentos de estudantes [13] e de blogueiros [14]. Mas entrevista do próprio gestor do MSC [24] admite que o desenvolvimento da tecnologia no próprio país ficou muito aquém do esperado. Isto faz lembrar previsões acadêmicas de 2002 a respeito do MSC [8], que afirmavam que, para o desenvolvimento tecnológico ocorrer, seria necessário que partes maiores da população estivessem envolvidas — não apenas empresas trazidas de fora, que quando muito educariam tecnologicamente uma pequena parcela da população.

Que lições poderiam ser tiradas, com viés para o contexto brasileiro de políticas públicas ? Talvez as seguintes sejam mais visíveis:

  • nem toda iniciativa governamental está fadada ao sucesso — como diria o pensamento mercadista;
  • nem toda iniciativa voltada ao mercado gerará riqueza ou terá sucesso, por mais que o mercado possa aplaudi-la;
  • políticas públicas devem visar o grande público, não um conjunto limitado e/ou elitizado de empresas: os ganhos econômicos serão maiores se em escala;
  • tanto isso é verdade que os organismos internacionais avaliam principalmente a penetração da Internet na população. Inicialmente, em termos de penetração nos domícilios do país, mas agora também em termos de sua capacidade de transferência de informação [16];
  • por último, mas não menos relevante no caso brasileiro, uma política de subsídios é insuficiente para gerar desenvolvimento e inovação tecnológica.

Referências

[1] PNBL, lá e cá (parte 1 de 4)
https://tecnologiassemfio.wordpress.com/2010/03/11/pnbl-la-e-ca-parte-1-de-2/
Visitado em 07/05/2010

[2] PNBL, lá e cá (parte 2 de 4)
https://tecnologiassemfio.wordpress.com/2010/04/23/pnbl-la-e-ca-parte-2-de-3/
Visitado em 07/05/2010

[3] Malaysia
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Malaysia
Visitado em 07/05/2010

[4] Multimedia Super-Corridor
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Multimedia_Super_Corridor
Visitado em 11/05/2010

[5] Information Age
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Information_Age
Visitado em 11/05/2010

[6] Malaysia’s ‘High Speed’ ‘Broadband’ should not turn out into low speed narrowband!
http://drkokogyi.wordpress.com/2010/03/24/malaysias-high-speed-broadband-should-not-turn-out-into-low-speed-narrowband/
Visitado em 11/05/2010

[7] Geografia da Malásia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Geografia_da_Mal%C3%A1sia
Visitado em 11/05/2010

[8] Multimedia Utopia? A Geographical Critique of High-Tech Development in Malaysia’s Multimedia Super Corridor
http://profile.nus.edu.sg/fass/geotgb/Final%20Paper.pdf
Visitado em 11/05/2010

[9] Reference for Multimedia Super Corridor
http://www.search.com/reference/Multimedia_Super_Corridor
Visitado em 11/05/2010

[10] Bill Gates Officially Opens Microsoft Knowledge Capital Centre — MKCC and MMU partnership reinforces commitment to MSC
http://www.microsoft.com/Presspass/press/2000/sept00/malaysia3pr.mspx
Visitado em 11/05/2010

[11] MSC Multimedia Super Corridor Malaysia | Brands of the World
http://www.brandsoftheworld.com/logo/msc-multimedia-super-corridor-malaysia
Visitado em 11/05/2010

[12] SEMPER EADEM? FIFTY YEARS OF US-MALAYSIAN ECONOMIC
RELATIONS
http://eprints.um.edu.my/140/1/YACOB.pdf
Visitado em 11/05/2010

[13] Malaysia Broadband: A Harsh Reality ” DEMA – Malaysia Youth and Students Democratic Movement
http://demamalaysia.wordpress.com/2009/12/27/malaysia-broadband-a-harsh-reality/
Visitado em 11/05/2010

[14] Digi Internet: Broadband done all wrong…
http://freeweelee.wordpress.com/2010/02/15/digi-internet-broadband-done-all-wrong/
Visitado em 11/05/2010

[15] Multimedia Utopia? A Geographical Critique of High-Tech Development in Malaysia’s Multimedia Super Corridor
http://profile.nus.edu.sg/fass/geotgb/Final%20Paper.pdf
Visitado em 11/05/2010

[16] Broadband Quality Score — A global study of broadband quality September 2009
http://www.sbs.ox.ac.uk/newsandevents/Documents/Broadband%20Quality%20Study%202009%20Press%20Presentation%20%28final%29.pdf
Visitado em 11/05/2010

[17] The Global Competitiveness Report 2009–2010
http://www.weforum.org/pdf/GCR09/GCR20092010fullreport.pdf
Visitado em 11/05/2010

[18] MSC nation in the last third of broadband ranking…
http://hsudarren.wordpress.com/2009/10/02/msc-nation-in-the-last-third-of-broadband-ranking/
Visitado em 11/05/2010

[19] Malaysia Youth And Students Democratic Movement
http://demamalaysia.wordpress.com/introduction-of-dema/
Visitado em 07/05/2010

[20] Last mile
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Last_mile
Visitado em 11/05/2010

[21] Malaysia’s broadband quality is below par, says Oxford study
http://www.themalaysianinsider.com/malaysia/article/Malaysias-broadband-quality-is-below-par-says-Oxford-study-/
Visitado em 11/05/2010

[22] Malaysia Civil and Political Rights Report 2008: Overview
http://www.digitalibrary.my/dmdocuments/malaysiakini/788_Suaram-Overview-2008-English-Final.pdf
Visitado em 11/05/2010

[23] Regime militar no Brasil (1964-1985)
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Regime_militar_no_Brasil_%281964-1985%29
Visitado em 11/05/2010

[24] MSC Malaysia: Continuing a legacy
http://findarticles.com/p/articles/mi_qn6207/is_20090401/ai_n31517225/?tag=content;col1
Visitado em 11/05/2010

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O Android não é multi-tarefa ?

1 de maio de 2010

Hilton Garcia Fernandes

A Internet é movida por ondas de informações, algumas nem sempre verdadeiras. Uma delas foi a de que o Android [1] — que equipa celulares — não seria um sistema operacional multi-tarefa; ou seja: não permitiria vários aplicativos operando ao mesmo tempo. Opinião semelhante tem sido lançada sobre o sistema operacional que equipa o iPhone [2].

Estas notícias — não vamos chamá-las ainda de boatos, ou hoax [3] — são importantes, pois se referem a dois equipamentos móveis muito importantes, basicamente no estado-da-arte [4] de sua classe. Por isso, vale a pena analisá-las em mais detalhe.

Visão muito geral sobre Android e sistema operacional do iPhone

Em primeiro lugar o Android pode ser entendido como um sistema operacional Gnu/Linux [5]. Nestes sistemas, a propriedade de ser multi-tarefa [6] é realmente básica, mesmo em suas configurações mais simples. No iPhone, o sistema operacional [7] é derivado do Mac OS X [8], que por sua vez é — grosso modo — um sistema operacional similar ao GNU/Linux.

(Deve-se dizer que a Apple tem conseguido com essa estratégia algo que os sistemas operacionais GNU/Linux conseguiram antes: é basicamente o mesmo sistema operacional que roda desde o menor celular até o maior computador disponível — apenas são inseridos e retirados módulos de acordo com as características de cada ambiente.

O que não é conseguido no caso do Microsoft Windows, quando os ambientes para PC Desktop [9] e servidor [10] são fundamentalmente diferentes daquele para celulares smartphone [11].)

Resumindo, tanto Android quanto o SO do iPhone ambos são intrinsecamente multi-tarefa. Então, será que a afirmação é apenas mais um boato sem fundamento, como muitos que passeiam pela Internet ?

Limites para multi-tarefas em smartphones

Um dos melhores artigos que podem ser encontrados na Internet a esse respeito é [12], de Robert Love [13]. Neste texto, explica-se que existe, sim multi-tarefa verdadeiro no Android e no sistema operacional do iPhone. O que não há é multi-tarefa para aplicações de terceiros, não desenvolvidas pelas equipes que criaram sistemas operacionais.

Quais as razões para isso ? São detalhadas em outro ótimo artigo sobre o tema [14], de Dianne Hackborn [15]. Basicamente, trata-se do problema de desempenho, comum a sistemas embarcados interativos como são os telefones celulares.

Trata-se de um problema de necessidade de resposta rápida, já comentado neste blog a respeito de telefonia, comum ou VoIP, em [16] e [17]: diferente de uma leitura de e-mail, na qual dezenas de segundos não causam nenhum problema, há atividades nas quais demoras adicionais de alguns segundos podem fazer com que o usuário considere todo o aplicativo inútil.

Sendo assim, uma aplicação fortemente interativa como um telefone celular sofisticado, um smartphone, é desenvolvido muito cuidadosamente para que nenhuma aplicação tenha um tempo de resposta maior do que seria razoável para um usuário. Aplicativos de terceiros poderiam, talvez prejudicar esse projeto cuidadoso.

Além disso, um dispositivo móvel tem recursos limitados. Aqueles mais simples têm limites tanto de poder de processamento, quanto de armazenamento e até de bateria. Em [12], o autor é enfático em desmentir as alegações da Apple a respeito de bateria e de poder de processamento do iPhone como razão para que ela impeça que aplicações de terceiros usem a capacidade multi-tarefa disponível no sistema operacional do iPhone.

A principal razão, explica ele, é a questão de um celular do tipo smartphone ter um limite de memória muito baixo para as aplicações atuais E, devido ao fato de seu armazenamento em disco ser também muito limitado, eles não podem contar com o recurso da memória virtual [18] que, no caso dos PCs, permite que aplicações inteiras sejam transferidas para o disco rígido, liberando espaço em memória para outros aplicativos.

O artigo [14] lembra que o recurso de multi-tarefa não é tão crítico em um dispositivo que serve principalmente para atender a um único usuário que terá atenção focada apenas em interagir diretamente com o teclado e o monitor de seu smartphone — na imensa maior parte do tempo.

Recursos para permitir multi-tarefa em smartphones

O que o Android já pode fazer, segundo [12], é permitir que um aplicativo armazene seu estado em uma área limitada, bastante menor do que aquela de um disco rígido. Este processo, chamado de serialização em geral [19], recebe o nome de bundles, ou pacotes, no contexto do Android [20]. Em [12] se explica que mesmo a Apple está desenvolvendo formas de permitir multi-tarefa similares àquelas do Android.

O recurso de serialização garante que, quando um aplicativo for novamente carregado, encontrará em alguma parte do armazenamento toda informação que ele necessita para retornar a seu estado anterior. Infelizmente, neste o processo de carregar novamente uma aplicação é algo mais demorado do que transferir uma aplicação da memória virtual para a memória física.

No uso de memória virtual, tudo já está pronto — basta transferir do disco a memória, no estado já desejado para execução. No caso da serialização, será necessário carregar novamente o aplicativo e fazê-lo executar até chegar ao estado desejado.

Assim, o uso de serialização apenas pode tornar mais demoradas– e portanto com tempo de resposta maior — as aplicações que dela fazem uso.

Conclusão

Portanto, a frase “o Android não é multi-tarefa” é parcialmente verdadeira: há multi-tarefa para aplicativos nativos nos sistemas operacionais do iPhone e Android. Há multi-tarefa limitado para aplicativos de terceiros no Android — chamado de serialização. Infelizmente, os limites da serialização dificultam o uso intenso por aplicativos de terceiros, que terão que ser projetados desde o início para usufruir da serialização, tão diferente daqueles disponíveis em PCs.

Por isso, eventualmente, é que ainda não vê com frequência o comportamento multi-tarefa nos novos aplicativos disponíveis para smartphones.

Os desenvolvedores de aplicativos de terceiros terão de se educar para projetar novos aplicativos. E mesmo a Apple terá de estudar como melhor oferecer sua forma de serialização aos programadores desenvolvendo aplicativos para iPhone.

Referências

[1] Android
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Android
Visitado em 30/04/2010

[2] iPhone
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/iPhone
Visitado em 30/04/2010

[3] Hoax
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Hoax
Visitado em 30/04/2010

[4] Estado da arte
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Estado_da_arte
Visitado em 30/04/2010

[5] GNU/Linux
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Gnu/linux
Visitado em 30/04/2010

[6] Multi-tarefa
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Multi-tarefa
Visitado em 30/04/2010

[7] iPhone OS
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/IPhone_OS
Visitado em 30/04/2010

[8] Mac OS X
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Mac_OS_X
Visitado em 30/04/2010

[9] Windows 7
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Windows_7
Visitado em 30/04/2010

[10] Windows Server 2008
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Windows_Server_2008
Visitado em 30/04/2010

[11] Mac OS X
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Mac_OS_X
Visitado em 30/04/2010

[12] Why don’t the iPad and iPhone support multitasking
http://blog.rlove.org/2010/04/why-ipad-and-iphone-dont-support.html
Visitado em 30/04/2010

[13] Robert Love — A blog on economics, technology, and wolves
http://blog.rlove.org/
Visitado em 30/04/2010

[14] Multitasking the Android Way
http://android-developers.blogspot.com/2010/04/multitasking-android-way.html
Visitado em 30/04/2010

[15] Dianne’s Home Page
http://www.angryredplanet.com/~hackbod/
Visitado em 30/04/2010

[16] Yet Another Asterisk Tutorial
https://tecnologiassemfio.wordpress.com/2010/03/19/yet-another-asterisk-tutorial/
Visitado em 30/04/2010

[17] O que é Traffic shaping, afinal?
https://tecnologiassemfio.wordpress.com/2010/02/26/o-que-e-traffic-shaping-afinal/
Visitado em 30/04/2010

[18] Memória Virtual
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Mem%C3%B3ria_virtual
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[19] Serialização
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Serializa%C3%A7%C3%A3o
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[20] Bundle | Android Developers
http://developer.android.com/reference/android/os/Bundle.html
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