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Cidades inteligentes: arquitetura (1/4)

7 de abril de 2011

Hilton Garcia Fernandes

Este é o primeiro de uma série de textos sobre cidades inteligentes. Aqui se define o termo e se trata de uma possível arquitetura para cidades inteligentes. Outros textos abordarão mais ângulos do tema.
Cidades inteligentes podem ser definidas, de modo simples como aquelas capazes de resolver  coletivamente seus problemas.

Esta não é uma definição consensual: inteligência é um dos temas mais complexos e controvertidos em psicologia [1]. O conceito de inteligência coletiva [2], ainda muito novo, tem ainda mais complexidade e controvérsia. E, por sua vez, a conceituação de cidade inteligente ainda está longe de convergir para uma única linha de pensamento [3].

Ainda assim, vale a pena manter a definição, pois é bastante prática e pode nortear projetos a serem realizados em países similares ao Brasil.

Uma cidade inteligente usa serviços tornados possíveis graças a uma infraestrutura de rede disponível para toda cidade [4]. Ou seja: uma cidade inteligente se constrói por sobre uma cidade digital [5].

Teoricamente, seria possível que uma cidade tivesse discussão e solução coletiva de seus problemas apenas por conversas de pé-de-ouvido. Mas isto seria possível apenas para cidades muito pequenas. E mesmo nelas, a Internet fornece ferramentas tão convenientes que permite que discussões mais extensas sejam registradas com mais eficácia do que através da comunicação oral.

Arquitetura conceitual de uma cidade inteligente

Para entender esta proposta de cidade inteligente, vale a pena examinar a figura abaixo.


Infraestrutura é a disponibilidade de uma rede aberta para toda a cidade, oferecida pela cidade digital. Integração é o fato de toda cidade estar efetivamente se comunicando para resolver problemas comuns.

O nível de Serviços, ainda não comentado, contém justamente os serviços que vão permitir essa integração.

Para uma representação mais breve no desenho, os diferentes serviços são representados por números. Uma possível lista deles pode ser:

  1. Telecentros: locais onde há computadores disponíveis para se acessar a Internet. Naturalmente, isto é essencial para a parte da população que não tem computadores;
  2. Museu virtual: levantamento da cultura local, apresentação em museu na Internet, com incentivo à continuada inclusão de material — seja de memória, seja material novo.
    É visão da equipe que a geração de cultura é forma de remover o isolamento de cidades ou comunidades que não se sentem parte do fluxo de informações mais usual. E assim, elevar sua autoestima.
  3. Treinamento para geração de conteúdo, no sentido amplo.
    Em Barra Bonita-SP, no projeto Barra Digital, foram dados cursos de Joomla para criação de sites Web. Neste caso incluiriam também criação de textos e imagens. Sempre através de ferramentas de Software Livre;
  4. Suporte à 3a Idade: esta faixa de idade merece especial atenção, mesmo quando são ministrados a ela cursos similares a outros. Afinal, são pessoas que têm maior resistência a computadores, sentem-se fora deste tempo e eventualmente podem ter diminuição de visão, de movimentos e de raciocínio — por razões físicas ou psicológicas.
    À parte isso, têm todo um conteúdo e experiência que não deve ser desprezado pela comunidade.  Também aqui a Internet pode ser ferramenta para reduzir o isolamento físico que, muitas vezes impede o pronto socorro a enfermidades e emergências;
  5. Influência na escola convencional: treinamento de professores para que aulas convencionais possam ser complementadas por geração de conteúdo.
    Por exemplo, uma aula de geografia física sobre a Serra do Mar dará origem a diversas entradas de blogs, nos quais os alunos exporão e complementarão o conteúdo mostrado em sala;
  6. E-gov, ou governo eletrônico: softwares para gestão interna da prefeitura, e para oferecer serviços informatizados à população.
    Por exemplo, a população poderá ver sua situação fiscal mediante consulta a página da prefeitura. E eventualmente resolvê-la também pela rede da cidade digital.
    Do mesmo modo, através da rede da cidade digital todo sistema de saúde da prefeitura se interconectará, minorando fraudes e aumentando o controle e a transparência;
  7. Monitoração: nas cidades inteligentes, a monitoração diz respeito à utilização otimizada de sistemas que lidem com sinais de áudio e vídeo, pertencentes a locais que demandem atenção especial.
    Esses sistemas incluem mas não se limitam a circuitos tradicionais de câmeras embora estes últimos, chamados sistemas CFTV concentrem a maior parte dos investimentos em vigilância.. Outro sistemas de monitoração podem incluir sensores audio.
    Os sinais de áudio e vídeo são coletados por seus respectivos sensores e enviados a uma central onde são analisados e armazenados por um período eventualmente definido por lei;
  8. Economia solidária: desenvolvimento econômico de comunidades através de procedimentos que enfatizam a solidariedade entre pessoas, ao mesmo tempo que buscam racionalmente colocação no mercado para produtos que a comunidade pode oferecer [6];
  9. Suporte à rede: manutenção simples da rede treinamento para compra de equipamentos, instalação básica e treinamento para instalação independente.
    Este serviço é análogo ao treinamento básico em telecentros, à medida que permite que usuários com computadores próprios possam operar na Internet;
  10. Mobilidade urbana: a infraestrutura de cidade inteligente permite comunicação entre automóveis e ônibus em movimento e computadores localizados próximos à via. Isto permite, por exemplo:
    1. Saber com precisão onde está um ônibus — isto é importante tanto para logística do transporte, quanto para a segurança dos passageiros (assaltos) e do próprio ônibus;
    2. Saber quanto tempo um ônibus levará para chegar a um dado ponto, o que é muito útil para os passageiros esperando no ponto;
    3. Dado um número suficiente de pontos de recepção dos sinais dos automóveis e ônibus passantes, é possível conhecer melhor a estrutura de velocidades da cidade e, assim fazer alterações do fluxo do trânsito para melhorá-lo. Ou até alterar as próprias ruas, aumentando larguras onde são realmente necessárias;
  11. Grid inteligente ou smart grid: o termo designa uma rede elétrica com elementos capazes de se comunicar e assim prover um comportamento inteligente para todo o sistema [7] — o que é importante para resolver catástrofes e otimizar o uso da rede elétrica. Anteriormente, toda inteligência ficava nas estações e subestações.
    Quase toda apresentação sobre grids inteligentes menciona que em um deles as casas vão poder comprar energia em momentos em que ela está disponível, armazená-la e revendê-la ao sistema quando há muita necessidade e, portanto, ela está mais cara.
    Deste modo, casas inteligentes vão poder tanto auxiliar o sistema, quanto gerar receita para seus usuários.

Referências

[1] Inteligência
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Intelig%C3%AAncia
Visitado em 25/03/2011

[2] Inteligência coletiva
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Intelig%C3%AAncia_coletiva
Visitado em 25/03/2011

[3]Cidade Inteligente
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Cidade_inteligente
Visitado em 07/04/2011

[4]Cidades inteligentes – cidades digitais – ambientes inteligentes — Cidade Inteligente
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Cidade_inteligente#Cidades_inteligentes_-_cidades_digitais_-_ambientes_inteligentes
Visitado em 07/04/2011

[5] Cidades digitais — tentativa de definição
https://tecnologiassemfio.wordpress.com/2010/05/22/cidades-digitais-tentativa-de-definicao/
Visitado em 25/03/2011

[6] Economia solidária
https://secure.wikimedia.org/wikipedia/pt/wiki/Economia_solid%C3%A1ria
Visitado em 07/04/2011

[7] O Projeto Évora de Smart Grids
http://liberdadenafronteira.blogspot.com/2011/02/o-projeto-evora-de-smart-grids.html
Visitado em 07/04/2011

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